Gestão de estimativas

Levantamentos de quantidades na engenharia industrial

O Levantamento de Quantidades pode ser realizado por diferentes métodos, cada um com suas particularidades e áreas de aplicação. Dependendo do nível de detalhamento exigido e da fase em que o projeto se encontra, é possível adotar uma ou mais metodologias para garantir maior precisão e confiabilidade nas informações.

O resultado do processo de Levantamento de Quantidades é uma Planilha de Quantitativos bem elaborada (conhecida também como PQ).

Lista de Materiais (BOM – Bill of Materials)

A Lista de Material – comumente chamada de BOM (Bill of Materials) – é um documento fundamental na manufatura e em projetos mecânicos. Em essência, a BOM relaciona todas as peças, componentes, subcomponentes necessários para a montagem ou a fabricação de um produto. Ela descreve em detalhes cada item, identificando códigos, quantidades e, em alguns casos, especificações técnicas, como dimensões ou materiais empregados.

Detalhes importantes sobre a BOM:

  1. Estrutura hierárquica: A BOM é organizada em níveis. No primeiro nível, estão os conjuntos principais; em níveis subsequentes, são listados subconjuntos e peças individuais.
  2. Identificação de componentes: Cada item na BOM costuma ter um código único, facilitando o controle de estoque, a rastreabilidade e o gerenciamento de compras.
  3. Integração com produção: Uma BOM bem estruturada serve de base para o setor de suprimentos, pois indica quais peças e quantas unidades precisam ser adquiridas. Também orienta a equipe de montagem e possibilita um planejamento mais assertivo de prazos e custos.

Hoje, diversas soluções tecnológicas permitem a criação automática de uma BOM a partir de modelos de engenharia. Softwares de desenho e modelagem 3D como SolidWorks, Autodesk Inventor, CATIA, Siemens NX, entre outros, possuem funcionalidades que geram a Lista de Material de forma integrada ao projeto mecânico. Esses programas não apenas desenham ou modelam o equipamento, mas também permitem que para cada peça seja atribuída a um código único e a determinadas propriedades, alimentando a BOM sem que seja preciso fazer um registro manual em planilhas.

Exemplo de projeto no SolidWorks com parâmetros de BOM configurados
Exemplo de projeto no SW com parâmetros de BOM configurados
BOM exportado pelo SW e gerenciado no Excel.
BOM exportado pelo SW e gerenciado no Excel.

Planilha de Quantitativos (PQ)

A PQ (Planilha de Quantitativos): Engloba um escopo muito mais amplo que a BOM, incluindo não apenas peças e materiais, mas também mão de obra, consumíveis, serviços terceirizados, infraestrutura, equipamentos de apoio, logística de transporte, entre outras variáveis cruciais para a execução completa de um projeto industrial.

Apesar de serem frequentemente confundidas, a BOM e a PQ têm escopos distintos. A BOM (Bill of Materials) se limita especificamente nos componentes físicos de um equipamento, sistema ou produto. É essencialmente uma lista dos itens de fabricação ou montagem, informando quais peças serão necessárias e em que quantidade.

Em resumo, a BOM é uma parte integrante do processo de engenharia mecânica que abastece o setor de produção, enquanto a PQ tem uma visão de projeto mais abrangente, contemplando todos os recursos necessários para a concretização do empreendimento.

Enquanto a BOM viabiliza a manufatura de produtos e equipamentos de forma organizada, a PQ assegura que nenhum aspecto (físico ou de serviço) seja negligenciado no planejamento e na orçamentação de projetos de engenharia industrial.

Exemplo de Planilha de Quantitativos.
Exemplo de Planilha de Quantitativos.

Método 1: Levantamento em campo

O levantamento em campo consiste em inspeções visuais, medições, análises de amostras e outras verificações realizadas no local do projeto. Quando o empreendimento já existe ou há estruturas pré-montadas, esse tipo de coleta permite identificar as condições reais e eventuais limitações físicas, auxiliando na elaboração de um diagnóstico preciso.

Entre as vantagens, destacam-se a possibilidade de detectar discrepâncias entre o planejado versus realizado, bem como antecipar necessidades de manutenção, reparos ou adequações.

O termo As-Built pode ser entendido como “Como Construído”, e se refere ao conjunto de desenhos e documentos atualizados que retratam fielmente a condição real de uma instalação ou construção após sua conclusão.

Diferentemente dos desenhos originais (chamados de projeto “como projetado” ou “as-designed”), o Projeto As-Built incorpora todas as modificações ocorridas ao longo da obra ou montagem, como ajustes de rota de tubulações, variações de dimensões estruturais, mudanças de componentes, entre outras adaptações que eventualmente são necessárias durante a execução. Dessa forma, o As-Built torna-se a versão mais confiável para fins de manutenção, operação e possíveis futuras expansões.

Para elaborar um projeto As-Built rigoroso, é fundamental realizar um levantamento de campo. Esse processo consiste em inspeções visuais, medições detalhadas e registros fotográficos da instalação ou obra finalizada, de modo a comparar o que foi efetivamente construído com as documentações de projeto previamente estabelecidas.

Após a implantação da usina Ecovital, o Projeto As-Built foi realizado como uma importante ação para melhoria de novos projetos e facilitar processos de manutenção da usina. Principalmente com relação a trajetória de tubulações. Imagine um acidente que possa acontecer com uma tubulação de gás devido a equipe de manutenção não saber onde pode realizar perfurações no solo.

levantamento de campo realizado após conclusão da montagem da Usina EcoVital
levantamento de campo realizado após conclusão da montagem da Usina EcoVital

Durante o levantamento, as equipes checam a posição, as dimensões e a conformidade de todos os elementos relevantes (equipamentos, tubulações, estruturas etc.), registrando eventuais divergências. Somente com essa verificação meticulosa em campo é possível garantir que a documentação As-Built reflita a realidade, minimizando riscos de falhas e proporcionando maior eficiência em manutenção, operação e projetos subsequentes.

Método 2: Modelamento

Em muitas situações, o projeto se baseia em desenhos técnicos (plantas 2D, cortes, elevações), maquetes tridimensionais e modelos BIM (Building Information Modeling). Esses documentos, produzidos por equipes de engenharia mecânica, fornecem detalhes dimensionais e especificações capazes de embasar uma boa estimativa de quantidades. O uso de BIM, em particular, permite integrar informações de diferentes disciplinas (mecânica, elétrica, civil etc.) em um único modelo, otimizando a extração de dados, a detecção de conflitos e a colaboração entre equipes.

Ferramentas de desenho auxiliado por computador (CAD) e plataformas BIM são amplamente empregadas para medições automáticas, detalhamento de componentes e geração de relatórios precisos. Além disso, é possível utilizar planilhas avançadas para organizar, classificar e consolidar os dados obtidos.

Hoje, o BIM inclui soluções que integram estimativas de custos e cronogramas, tornando o processo de levantamento de quantidades parte de um fluxo de trabalho mais abrangente e conectado à gestão do projeto. Isso resulta em maior agilidade na atualização das informações e maior confiabilidade nos resultados apresentados, comunicando desenhos a softwares como o NetProject, MS Project e Primavera P6.

Um dos softwares BIM mais conhecidos para modelamento de Plantas ou usinas Industriais é o PLANT 3D, da AutoDesk. Esse foi o software utilizado para a implantação da usina EcoVital.

Tela do software Plant 3D
Tela do software Plant 3D

Existem diferentes softwares de projeto mecânico disponíveis no mercado, e quando temos projetistas que utilizam o software de modo adequado, considerando muito mais do que a mecânica do equipamento, mas a organização de uma Lista de Materiais, o processo de emitir a Planilha de Quantitativos se torna automatizado.

É preciso orientar os projetistas mecânicos que desenvolvam o projeto colocando em mente a entrega de uma lista de material (planilha de quantitativos), e não apenas um conjunto de especificação técnica mecânica.

Levantamento de quantidades: Exemplo de um projeto mecânico

A elaboração de estimativas detalhadas em engenharia industrial mecânica, sobretudo no que diz respeito ao levantamento de quantitativos, é fundamental para garantir a precisão dos custos, prazos e recursos envolvidos. Esse processo apoia-se na Planilha de Quantitativos, documento em que são listados todos os materiais, componentes e peças necessárias à fabricação ou montagem de um equipamento. Quando bem estruturada, essa planilha permite também identificar pontos críticos de fornecimento e prever necessidades de suprimentos e serviços especializados.

Um exemplo ilustrativo desse tipo de estimativa pode ser observado na engenharia de monta-cargas, dispositivos mecânicos destinados exclusivamente ao transporte vertical de cargas. O projeto e a fabricação de monta-cargas devem obedecer às normas específicas — no caso brasileiro, a NBR 14712 Elevadores elétricos e hidráulicos — Elevadores de carga, monta-cargas e elevadores de maca — Requisitos de segurança para construção e instalação — que estabelecem requisitos de segurança, desempenho e confiabilidade do equipamento. Ao consultar o projeto do Monta-Carga da IESAB, nota-se que a primeira folha costuma agrupar as vistas e os conjuntos principais, enquanto a segunda detalha todas as peças que compõem o dispositivo.

No mercado, existem diversos softwares de projeto mecânico capazes de facilitar o desenvolvimento e a documentação de equipamentos como o monta-carga. Entre as funcionalidades mais relevantes para estimativas detalhadas, destaca-se a organização automatizada de Listas de Materiais (Bill of Materials — BOM). Quando o projetista utiliza essas ferramentas de modo abrangente, considerando não apenas os aspectos estruturais e funcionais, mas também a codificação e classificação de peças, o processo de emitir a Planilha de Quantitativos torna-se muito mais ágil. Isso ocorre porque o próprio software consolida informações de peças, subcomponentes e matérias-primas, minimizando retrabalho e reduzindo a probabilidade de erros.

Conclusão

Em suma, o Levantamento de Quantidades em projetos industriais pode ser conduzido por diferentes métodos, como inspeções de campo (As-Built) e modelamentos 3D+ (BIM), sempre tendo como resultado final documentos essenciais para a gestão do empreendimento.

Enquanto a BOM (Bill of Materials) foca principalmente nos componentes físicos de um equipamento, a Planilha de Quantitativos (PQ) abrange um escopo mais amplo, incluindo serviços, mão de obra, infraestrutura e outros recursos necessários.

A combinação dessas ferramentas, aliada a softwares especializados (como Plant 3D, SolidWorks e afins), otimiza a organização de dados e minimiza erros, tornando o processo mais ágil e confiável. Dessa forma, o uso adequado desses métodos e tecnologias viabiliza um planejamento preciso, reduções significativas de custos e prazos, e maior eficiência no desenvolvimento e execução de projetos de engenharia industrial.


Quiz de Fixação

Teste o seu aprendizado. Escolha uma alternativa para as perguntas a seguir.

1. Qual dos documentos abaixo é mais abrangente e completo?

Correct! Wrong!

2. Qual a vantagem do BIM?

Correct! Wrong!

3. O que diferencia o método As-Built de outros tipos de levantamento?

Correct! Wrong!

4. Qual é o principal objetivo da Planilha de Quantitativos (PQ)?

Correct! Wrong!

Levantamentos de quantidades na engenharia mecânica/industrial
Parabéns! Excelente aprendizado! 👏👏👏

Anderson Ferreira

Anderson Ferreira é engenheiro mecânico pela PUC Minas, MBA em gestão de projetos pela USP, certificado como PMP pelo Project Management Institute, Mestre em Engenharia pela UFMG e certificado PMO-CP pela PMO Global Alliance. Anderson ama a gestão de projetos e engenharia, e acredita que unindo esses dois conhecimentos podemos construir um Brasil cada vez melhor.